sexta-feira, 13 de julho de 2018

Teratológico ou patológico?




Teratológico ou patológico?


Por
 Jurandir Dias
Lula chega à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba,
 em 07 de abril de 2018. Foto de HEULER ANDREY AFP
Este final de semana foi atípico como tem sido atípico o Brasil nos últimos tempos. Fomos surpreendidos, logo pela manhã desse domingo, com a notícia de uma Liminar concedida por um desembargador de plantão que manda soltar o prisioneiro que mais dano fez à sociedade e ao País. Todo o mundo acompanhou o caso, creio que não preciso entrar em detalhes.
O que chamou a atenção, contudo, foram os vais-e-vens de ordens e contraordens dos juízes do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) e do Juiz Sérgio Moro. Depois disso, apareceram diversos comentários de autoridades do mundo jurídico sobre o assunto. Alguns desses comentários se destacam mais pelo que não diz, do que pelo que diz. Assim, a presidente do STF, Ministra Carmen Lúcia, declarou: “A Justiça é impessoal, sendo garantida a todos os brasileiros a segurança jurídica, direito de todos. O Poder Judiciário tem ritos e recursos próprios, que devem ser respeitados. A democracia brasileira é segura e os órgãos judiciários competentes de cada região devem atuar para garantir que a resposta judicial seja oferecida com rapidez e sem quebra da hierarquia, mas com rigor absoluto no cumprimento das normas vigentes”.[1]
É óbvio que o Poder Judiciário, como toda a organização que se preza, tem ritos e recursos próprios, que devem ser respeitados. Entretanto, no mundo em que vivemos parece que o óbvio tem às vezes de ser lembrado. Mas, afinal, o que quis dizer a respeitável presidente do STF? Há nisto uma censura ao Desembargador Favreto?
A decisão deste demonstra, por sua vez, um ativismo judiciário que não respeita nem sequer o próprio Judiciário.
Pareceu-me mais sensata a declaração do ex-ministro do STF, Carlos Velloso: “A decisão é teratológica, portanto fez muito bem o juiz Sérgio Moro de fazer as ponderações, não é possível que a cada momento se tomem decisões que contrariem e afrontem a lei”.[2]
Veloso lembrou ainda que o próprio TRF-4 foi quem autorizou Moro a decretar a prisão de Lula, em abril, quando o petista passou a cumprir pena na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba. “Foi impetrado um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que denegou. Também ao Supremo Tribunal Federal (STF), que denegou”, recorda o ex-ministro, para quem a decisão de soltura desrespeita as instâncias superiores da justiça.
Escolheram um plantonista de domingo para isso, e um plantonista de domingo atendeu. O juiz tem de compreender que juiz pode muito, mas não pode tudo. Isso é o que precisa ser compreendido pelos juízes brasileiros”, concluiu o ex-presidente da Suprema Corte.
Para os leigos em direito, como eu, a palavra “teratológico” chama a atenção. Assim, fui pesquisar o seu significado e constatei que a palavra é relativa à ciência que se ocupa do desenvolvimento anormal e das malformações congênitas, ou das monstruosidades. Uma decisão teratológica “no aspecto jurídico do termo diz respeito a uma decisão absurda, ou seja, em princípio, podemos dizer que seria a decisão que contraria a lógica, o bom senso e a até mesmo – em certos casos – a moralidade, na medida em que é impossível conviver com o imoral e que inviabiliza as relações sociais. Assim sendo, decisão teratológica seria toda aquela que contraria a lógica, o bom senso e as relações interpessoais, ao ponto de comprometer a convivência, a urbanidade, a tolerância, a vida em sociedade, o interesse público.”[3]
Para justificar a sua decisão, Favreto alega “fato novo” que, segundo ele, seria a pré-candidatura de Lula. Ora, isto é fato velho, pois a intenção do Lula de se candidatar vem de antes de ele ser condenado. Por outro lado, pensando assim, todo bandido condenado pela justiça iria querer candidatar-se à Presidência da República para evitar a prisão.
Tal argumento é absurdo, como têm sido absurdos todos os atos e propostas de legislação do PT. Por exemplo, o Estatuto da Diversidade Sexual e de Gênero, apresentado pela senadora Marta Suplicy. Diante de tudo isso, fico a pensar se o lulo-petismo é um fenômeno “teratológico” ou patológico…
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quarta-feira, 20 de junho de 2018

A Copa do Mundo e a Civilização Cristã


A Copa do Mundo e a Civilização Cristã



Estamos em época de Copa do Mundo. Desta vez ela transcorre na Rússia e servirá para romper as barreiras ideológicas e psicológicas em relação a um país do qual Nossa Senhora disse em Fátima que espalharia seus erros por toda parte. Tal previsão, contudo, já se cumpriu, pois o comunismo se encontra, de alguma forma, instaurado em todo o mundo e até dentro da Igreja.
Esse importante aspecto da realidade contemporânea fica ofuscado pela propaganda com que somos bombardeados a respeito da Copa do Mundo.
Entretanto, algo parece estar mudando. Apesar de todo o esforço midiático, a Copa do Mundo atrai cada vez menos públicoÉ o que observa a professora Nardele Silva, moradora de Belo Horizonte: “Este ano está muito desanimado. Ninguém está em clima de Copa do Mundo. O Brasil está vivendo um momento muito difícil, e isso está nos levando a repensar a importância dos jogos. O Brasil é o país do futebol? Pode até ser, mas também tem que ser o país de outras coisas: o país da segurança, da educação, da saúde. Então, vejo esse desânimo, vejo as pessoas virando as costas para a Copa.”[i]
Também em Portugal, o ex-ministro Pedro Santana Lopes, numa entrevista para a TV SIC,  manifestou o seu profundo desacordo com a importância tributada pela Imprensa ao futebol em detrimento dos problemas realmente importantes da Nação.
Apenas a entrevista havia começado, a jornalista o interrompe para transmitir a chegada de José Mourinho, técnico de futebol, que acabava de desembarcar no Aeroporto da Portela.
Após o repórter falar da importância daquele técnico de futebol, a jornalista retoma a entrevista:
 Volto agora a conversar com Pedro Santana Lopes, estávamos a falar…
– Sabe aonde é que estávamos? – pergunta o entrevistado.
A jornalista apenas começa a justificar aquela abrupta interrupção, o ex-ministro a interrompe:
– E acha que isso justifica? Desculpe a pergunta.
A jornalista, mal à vontade com a reação do entrevistado, tenta se justificar novamente.
O ex-ministro reage:
– Estamos a falar da interrupção. Acha que isso justifica?
E continua, ironicamente, sem deixar a jornalista apresentar as suas escusas:
– José Mourinho é mais importante que qualquer um de nós, sem dúvida nenhuma. A chegada dele põe o país em delírio e os problemas dos partidos e do sistema política não interessam nada. Só lhe pergunto: é assim que o país anda para a frente? Os senhores me convidaram para vir aqui, para vir falar destes assuntos importantes, eu vim com sacrifício pessoal, um sacrifício pessoal, chego aqui e sou interrompido por causa da chegada de um treinador de futebol! Acho que o país está doido, desculpe dizer. Com todo o respeito, e, portanto, eu não vou continuar a entrevista. As pessoas têm que aprender, peço desculpas, mas não vou continuar, sem nenhum preciosismo. Agora, eu tenho regras e não quebro minhas regras.
Após anos de paulatina destruição dos alicerces da sociedade e de inversão de valores promovido por forças hostis à civilização cristã, as quais utilizam o futebol que privilegia os pés e não o trabalho intelectual, parece que está havendo uma sadia reação. É o que fazem transparecer as declarações da professora mineira e do ex-ministro português. Queira Deus que este estado de espírito se mantenha não só no Brasil e em Portugal, mas no mundo inteiro!
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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Quem é o verdadeiro responsável pela paralisação dos caminhoneiros?


Quem é o verdadeiro responsável pela paralisação dos caminhoneiros?


Por
 Jurandir Dias





Um jornalista comentou que não estamos na Idade Média, mas na “Idade da Mídia”. Estamos realmente numa era em que as mídias sociais têm um poder extraordinário e pode até derrubar governos. Aliás, foi o que aconteceu com Dilma Roussef: as grandes manifestações que levaram ao seu impeachment foram convocadas pelos aplicativos de celular como o Watsapp. Do mesmo modo aconteceu na atual paralisação dos caminhoneiros.
O governo parece não ter-se dado conta do risco que corria com a política de preços dos combustíveis criada pela Petrobras em meados do ano passado.
Durante algum tempo, o governo Dilma segurou o preço dos combustíveis sem levar em consideração nem sequer o índice de inflação, uma medida própria de governos populistas de esquerda. Isto provocou um desequilíbrio nas contas da estatal, sem contar ainda o desfalque provocado pela roubalheira que o PT vinha fazendo em vários setores do governo.
Fonte: http://www.petrobras.com.br/

Para tentar cobrir o rombo da Petrobrás, o governo resolveu atrelar o preço do combustível ao dólar e ao preço internacional do barril de petróleo. Assim, o seu preço variava como uma bolsa de valores. Os reajustes têm acontecido quase diariamente. Na semana que antecedeu a greve dos caminhoneiros, por exemplo, foram cinco reajustes. No total, o aumento foi de 6,98% no preço da gasolina e 5,98 no do diesel.
O diesel não é usado só nos caminhões, mas também nas máquinas e implementos agrícolas e seu preço alto gera um custo adicional para os produtores rurais e aumento do preço final para o consumidor, com reflexo na taxa de inflação.
O preço dos combustíveis teve um reajuste de 8%, enquanto a inflação média do ano foi de 0,92% no mesmo período, segundo o IBGE. As grandes empresas de transporte conseguem, de alguma forma, repassar esse aumento no preço final do frete. Os caminhoneiros autônomos, entretanto, não conseguem fazer isso, e estão com um grande prejuízo.
Desde julho do ano passado, quando a Petrobrás adotou a nova política de preços, a gasolina acumula uma alta de 58,76% e o diesel de 59,32 %, segundo informações da Petrobrás. Para justificar o aumento dos combustíveis, a empresa informou que os derivados de combustíveis são commodities e que os preços estão atrelados ao mercado internacional. Soma-se a isto a pesada carga tributária que, no caso do diesel, chega a 46% e da gasolina, a mais de 50%.
Com essa política desastrosa, a situação se tornou insuportável. Entretanto, só o governo não a via – ou não queria ver –, apesar de ter sido alertado várias vezes pelos próprios caminhoneiros. E isto resultou num movimento espontâneo em todo o Brasil, o qual vem contando com o apoio da população semelhante ao ocorrido nas manifestações pelo Impeachment da ex-presidente Dilma Roussef. Em diversos pontos do País pessoas levaram alimentos, água e cobertores aos caminhoneiros, que tinham o apoio de empresas de alimentação e recebiam o incentivo da população através das mídias sociais. Rafael Cortez, cientista político e sócio da empresa Tendências Consultoria, observou que “a população enxerga no conflito entre os caminhoneiros e o governo uma reivindicação que também é sua: a de redução de tributos”.
O governo quis minimizar a importância do movimento. Na quarta-feira, os ministros disseram que os efeitos da greve não eram tão profundos. À tarde, os ministros Eliseu Padilha, (Casa Civil), Carlos Marun (Secretaria do Governo) e Valter Casimiro (Transportes) receberam delegados de organizações que se diziam representantes do movimento dos caminhoneiros. Por instrução do presidente Temer eles propuseram uma trégua, a qual não foi aceita.
À noite, contudo, o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, anunciou que a empresa faria uma redução de 10% no preço do óleo diesel e que manteria esse preço por duas semanas. Ele esperava uma atitude de “boa vontade” dos manifestantes. Mas uma questão dessa importância não se resolve com “boa vontade” nem com promessas evasivas.
Finalmente, na quinta-feira, o governo fez um acordo com entidades sindicais no qual se reduziria a zero a alíquota da CID e 10 % no valor do diesel pelos próximos 30 dias e outros pontos menos importantes. O acordo foi assinado por algumas entidades sindicais. O problema, entretanto, é que o movimento dos caminhoneiros não reconheceu essas entidades como seus legítimos representantes e, enquanto o acordo era celebrado, seus líderes passavam mensagens pelo whatsapp sugerindo a todos os motoristas a intensificar os bloqueios em todo o território nacional.
O presidente Temer ficou satisfeito com o acordo e achou que o problema da paralisação dos caminhoneiros estivesse resolvido. Disse que foi dormir tranquilo e quando acordou no outro dia viu que o Brasil “estava pegando fogo”. E chamou de “minoria radical” aqueles que não aceitaram o acordo.
No entanto, parece que ele “dormia” antes e depois do acordo. Agora, entretanto, acordou para uma realidade que não queria ver. Diante disso, resolveu convocar as forças de segurança nacional para conter essa “minoria radical” que mantinha mais de mil pontos de bloqueios em todo o País.
O governo não percebeu – ou não quer perceber – que tal acordo não resolve a questão do aumento dos combustíveis e que o problema está em sua política equivocada de preços, decorrente da herança maldita dos 13 anos de governo do PT, o verdadeiro responsável por essa paralisação dos caminhoneiros.
Napoleão dizia que é fácil construir um trono com baionetas. Difícil, entretanto, é sentar-se sobre ele. A greve dos motoristas pode acabar devido à repressão das forças de segurança, mas ficará um mal-estar que poderá explodir futuramente, talvez não daqui a muito tempo, com efeitos que poderão ser imprevisíveis.


domingo, 27 de maio de 2018

O casamento do príncipe Harry e a vulgaridade moderna


O casamento do príncipe Harry e a vulgaridade moderna




Aconteceu no dia 19 do corrente mês de maio o casamento do príncipe Harry com a atriz americana Meghan Markle. O príncipe é o sexto na linha sucessória ao trono inglês.
Embora os casamentos dos príncipes ingleses chamem a atenção não só dos britânicos, mas do mundo inteiro, o casamento de Harry ficou longe de ter despertado o mesmo interesse que teve o de seus pais, a princesa Diana e o príncipe Charles. Na ocasião, diziam que aquele foi o “casamento do século”. O mundo inteiro acompanhou pela televisão o pomposo evento.
As cerimônias do casamento de Harry, segundo a imprensa, estavam cheias de quebras de protocolos. Isto é um fato muito grave, especialmente tratando-se da corte inglesa, que tem especial apreço pela tradição, pelo cerimonial e pelos protocolos. Contou-se, na época do casamento da princesa Diana, que pouco antes passou certo tempo no Palácio de Buckingham para aprender as normas de etiquetas da monarquia inglesa.
A maior quebra de protocolo, entretanto, foi o próprio casamento de um príncipe sucessor ao trono inglês com uma plebeia divorciada. Isto demonstra a decadência da monarquia mais tradicional da Europa e do mundo.
Em entrevista para o site BBC, Dom Bertrand de Orléans e Bragança (foto ao lado), Príncipe Imperial do Brasil e segundo na linha de sucessão ao trono brasileiro, explica por que o casamento do príncipe Harry com a atriz Meghan não despertou o mesmo interesse que os casamentos anteriores:
“Se o príncipe Harry estivesse se casando com uma princesa ou uma mulher de família nobre, e não com uma divorciada, a satisfação dos britânicos seria muito maior e no mundo inteiro a repercussão também seria muito maior”. E acrescentou: “Todo casamento com príncipe, sobretudo no Reino Unido, tem repercussão. Sou católico e como católico não posso ver com bons olhos o casamento de uma divorciada. Isso é contra os princípios católicos. Nunca poderia aprovar este casamento, sob pena de não ser coerente com a minha fé.”[1]
Chamou também a atenção a diferença dos vestidos e dos buquês portados pela princesa Diana Spencer em 29 de julho de 1981, por Kate Middleton em seu casamento com o príncipe William em 2011, e agora por Meghan, cujo estilo estava mais voltado para o miserabilismo de nosso século. Parecia uma noiva qualquer, e não uma eventual futura rainha do trono inglês. O estilo hollywoodiano e igualitário se sobressaía ao da nobreza e distinção da família na qual acabava de entrar.
O estilo igualitário aparece ainda na hora de ela pronunciar os tradicionais votos de casamento“love, cherish and obey” (amar, cuidar e obedecer). Meghan não pronunciou a palavra “obedecer”, mas apenas “love and cherish”. Com sua mentalidade feminista, ela se recusa a obedecer ao marido.
Segundo o site G1, Meghan “defende a igualdade de direitos entre homens e mulheres e é representante da ONU Mulheres, braço da Organização das Nações Unidas para a promoção da igualdade de gênero.”[2]
Meghan não pode sequer ser comparada a uma aristocrata decadente do século XX, assim descrita numa foto (ao lado) pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: “A aristocracia do século XX está camufladaSeu traje [da aristocrata] é, em tudo e por tudo, o de uma trabalhadora manual. A posição é elegante, e exprime como que involuntariamente uma distinção que já não ousa afirmar-se plenamente à luz do dia; uma distinção que, por assim dizer, pede ao transeunte vulgar desculpas de existir: desculpas tão humildes que, para não chocar demais a distinção, se vela nos trajes de uma camponesa. Não é bem este, aliás, o sentido da crescente proletarização das maneiras, do ambiente de vida e dos trajes das elites ‘grã-finas’ em todo o ocidente?”[3]
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quinta-feira, 24 de maio de 2018

O senso do ser e a ideologia de gênero


O senso do ser e a ideologia de gênero


Por
 Jurandir Dias


O homem é o único ser criado por Deus com inteligência, vontade e sensibilidade. Ele não nasce um filósofo, mas tem as premissas naturais – uma matriz – de todo o conhecimento futuro. Essa matriz se chama senso do ser.
senso do ser é, portanto, uma matriz interior com a qual nós nascemos. Essa matriz é um conjunto de pontos obscuros, velados, não claros, que nos leva a identificar no mundo exterior as imagens de Deus.
Segundo o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, “o elemento primeiro do senso do ser, é o senso de que eu sou, mas que de fato há algo anterior. A matéria-prima para a noção de ser é inata. Ela se desperta no contato com a realidade. É um conhecimento germinativo primeiro, é o conhecimento que o ser tem de que ele é. E algo, que não é ele, é também. Tem a capacidade de refletir: ele se conhece e conhece a coisa, e refletindo desenvolve o primeiro conhecimento”.[1]
É interessante observar o comportamento de crianças – meninos e meninas – quando colocadas dentro de uma seção de brinquedos em uma loja ou supermercado. As meninas escolhem brinquedos femininos como uma boneca, por exemplo. Os meninos, por sua vez, escolhem bolas ou outros brinquedos apropriados a seu sexo. É o senso do ser inato (com o qual já nascem), que os faz escolher aquilo que é adequado ao próprio sexo. A ideologia de gênero quer quebrar o senso do ser na criança.
Na primeira tentativa fracassada de provar a ideologia de gênero, o Dr. John William Money (1921-2006) disse para a mãe de David Reimer que ela deveria educá-lo e vesti-lo como uma menina. Contudo, aquela criança, quando a mãe ia vesti-la com roupa de menina, se recusava, causando dificuldades à mãe. Esta comentava: “Parece que ele sabe que é um menino”.[2] Sim, a criança, através do senso do ser, sabe o que é adequado para si de acordo com o seu sexo. A ideia que a ideologia de gênero quer transmitir de que sexo é uma “construção social” se desfaz por si.
A respeito da perda do senso do ser, Roberto De Mattei comenta no livro Plinio Corrêa de Oliveira – Profeta do Reino de Maria: “O eclipse existencial do lumen rationis no plano lógico corresponde à perda da primazia do ser, a qual se perde por um pecado do espírito, que Dr. Plinio definiu como ‘pecado criteriológico’. “Não se perde a noção de ser por uma negação metafísica frontal,  mas por uma recusa do espírito que leva a afrouxar e a negar a importância do princípio de contradição e do princípio de identidade.”
O ser é aquilo que há de mais íntimo, mas também de mais nobre em tudo. É o ser que confere realidade àquilo que existe. Aquilo que eu chamo ser – disse São Tomás – é a mais perfeita de todas as coisas.”
De Mattei cita ainda outro trecho de uma reunião de Dr. Plínio em agosto de 1965: “A noção do ser se compõe ao mesmo tempo de dois elementos: um elemento estático, aquilo que é; e outro elemento dinâmico, que é o elemento interno do ser. E por causa disso a palavra ser é um substantivo que é um verbo: o substantivo indica o que é, e o verbo indica o que age, que se movimenta. A própria palavra ‘ser’ não poderia deixar de ser um verbo substantivado e um substantivo verbal. Estes dois elementos constituem o ser.” [3]
Há muito tempo vem ocorrendo um desajuste entre a inteligência e a vontade. E isto causa uma frustração fundamental e desequilíbrio na alma das pessoas que dizem ter a cabeça em um corpo errado. E a ideologia de gênero apresenta para estes infelizes uma falsa solução: a cirurgia de mudança de sexo. O resultado é um desastre que tem levado muitas pessoas ao suicídio.
ideologia de gênero não é apenas contra o senso do ser; ela é a negação do ser. Ela é propriamente uma doutrina diabólica contra a natureza humana e contra o Criador.
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[1] MNF, 04 de maio de 1988
[3] Roberto de Mattei – Plinio Corrêa de Oliveira – Profeta do Reino de Maria, pág. 54 a 57.


quinta-feira, 17 de maio de 2018

Médicos brasileiros desmascaram a Ideologia de Gênero

Médicos brasileiros desmascaram a Ideologia de Gênero

Por Tibério Meira, Revista "Catolicismo"



No dia 5 de abril, o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira promoveu no salão do Clube Homs, localizado na Avenida Paulista, um evento sobre a Ideologia de Gênero. Os conferencistas foram os médicos José Lima de Oliveira, cardiologista e cirurgião do INCOR de São Paulo, e José Alves Caliani, cardiologista e nutrólogo, com vasto currículo de formação em Universidades da França.

Dr. Adolpho Lindenberg (foto ao lado), presidente do Instituto, abriu a sessão apresentando os conferencistas. Contou ele que na Europa assistiu a um evento com grande número de crianças, do qual constou uma apresentação com vários artistas. Um deles se apresentou com roupa extravagante, de tal forma que visto do lado esquerdo parecia homem, e do lado direito parecia mulher. Quando falava para o lado esquerdo, tinha voz masculina; e voz feminina quando se voltava para a direita. A noção que fica por trás disso é que tanto faz ser homem ou mulher, qualquer um pode escolher seu sexo. Assim é a Ideologia de Gênero, cheia de incongruências e aberrações de toda espécie.

O Dr. Caliani (foto ao lado), primeiro orador, salientou que a Revolução se metamorfoseia, conforme aprendeu ao ler as obras do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, especialmente o livro Revolução e Contra-Revolução. Lembrou um artigo do Prof. Plinio, escrito nos anos 90, no qual comentava um cacique sentado à mesa do presidente do Senado, vestido de modo tribal, com arco e flecha na mão, e comentou: “Se quisermos ver a fisionomia do neocomunismo, aí está ela”. Hoje vemos movimentos indígenas invadindo e depredando propriedades particulares em todo o Brasil, com o apoio da esquerda católica. A Ideologia de Gênero é também uma dessas metamorfoses, e o importante é vermos este assunto dentro do panorama da Revolução, para descortinarmos a Ideologia de Gênero como mais uma manifestação do comunismo.

Salientou que há muito tempo os agentes da Revolução propõem a criação de um homem novo, adaptado para viver numa República Universal. Exemplificou com vários livros, que ao longo dos séculos vêm sucessivamente propondo e aprofundando a destruição das tradições, das fronteiras, dos regionalismos naturais, e principalmente da instituição familiar. O objetivo último é estabelecer o mundo igualitário idealizado pelo comunismo, e a Ideologia de Gênero é mais um passo para se atingir esse objetivo.

O Dr. José Lima de Oliveira (foto ao lado), segundo orador, demonstrou com farta documentação que a Ideologia de Gênero não tem embasamento científico. Como médico, há mais de dez anos tem se impressionado com “a quantidade de evidências científicas que demonstram claramente o grau de malefício que essa proposta política, essa ideologia, impõe a toda sociedade, mas principalmente às crianças”.

Uma estudiosa da Ideologia de Gênero, a socióloga alemã Gabriele Kuby, afirma que essa ideologia é a expressão mais radical da rebelião contra Deus. Segundo ela, o ser humano não aceita o fato de ter sido criado homem e mulher, e por isso diz: “Eu decido! Essa é a minha liberdade!”. E acrescenta que a Ideologia de Gênero seria a perversão final do ser humano.

A revista The Lancet, a mais importante publicação médica do mundo, informou em janeiro de 2017 que o índice de pessoas com “disforia de gênero” é de 0,4% a 1,6% da população. Esse índice não justifica o alarde da mídia a respeito desse problema. Estudos demonstram que 88% dos meninos e 98% das meninas que se sentem confusos em relação ao próprio sexo, após a puberdade aceitam o sexo biológico e terão saúde física e mental perfeitas. Portanto, não faz sentido propor tratamentos hormonais e mutilações que lhes trarão problemas para o resto da vida. “É como propor um transplante de pulmão para uma pessoa com uma gripe, que passaria em uma semana” — comentou o Dr. Lima.

Um dado importante apresentado pela empresa Hayes, e confirmado pela Sociedade Americana de Psiquiatria, é que a terapia hormonal, antes e depois da puberdade, expõe o paciente a graves riscos de doença. Enquanto a expectativa de vida média dos norte-americanos é de mais de 80 anos, na população que se submeteu ao tratamento hormonal cai para apenas 47 anos.

No Reino Unido, houve nos últimos cinco anos um aumento de 1.000% em tratamento de crianças com “disforia de gênero”. “Esse tratamento foi baseado em quê?” — pergunta o conferencista. E conclui: “Na verdade, é um abuso infantil condicionar crianças a acreditar durante uma vida inteira que a personificação química do sexo oposto é normal e saudável ”.

O Facebook e o seu “debate livre” sobre o aborto


O Facebook e o seu “debate livre” sobre o aborto


Por Jurandir Dias


Liberdade de imprensa e democracia são termos correlatos dentro do meio jornalístico. Por liberdade de imprensa se entende liberdade de expressão. Esta última, por sua vez, constitui um dogma para a imprensa. Tal “dogma”, entretanto, é muitas vezes violado por aqueles mesmos que o defendem com unhas e dentes. O Facebook é um exemplo disso.
A imprensa, dentro de um regime democrático, se considera o Quarto Poder. Essa ideia nasceu a partir de meados do século XIX. Ela pretende ser o órgão responsável por fiscalizar eventuais abusos dos três poderes da República (Legislativo, Executivo e Judiciário). Contudo, vemos hoje que esse “poder” não se restringe somente a isto, mas também a coibir a divulgação daquilo que vai contra os seus princípios, os quais são muitas vezes favoráveis ao aborto, ao homossexualismo, ao amor livre etc. Princípios que se chocam com os de seus leitores, que na sua maioria são conservadores. É o que podemos observar a seguir:
Está previsto um referendo sobre o aborto na Irlanda no próximo dia 25. Ora, no dia 8 o Facebook antecipou que vai bloquear todas as publicações estrangeiras a respeito desse referendo:
 “Como parte dos nossos esforços para ajudar a proteger a integridade das eleições e o referendo de influências indevidasvamos começar a rejeitar publicidades relacionadas ao referendo de anunciantes de fora da Irlanda.”[i]
Facebook parece não perceber a contradição entre o que diz e o que faz: “Nosso objetivo é simples: favorecer um debate livre, equitativo e transparente.” (O grifo é nosso).
Como pode haver “debate livre” onde as pessoas são impedidas de se manifestar?
Com essa medida, o Facebook alega “proteger a integridade das eleições e o referendo de influências indevidas. De fato, ele teme uma campanha de esclarecimentos promovida por movimentos conservadores Pró-Vida, cujo resultado poderá ser contrário à matança dos inocentes.
Agindo assim, o Facebook deixará também as pessoas impossibilitadas de se manifestar pelas redes sociais, ficando todo o noticiário (tendencioso) por conta da mídia abortista.
No “debate livre” concebido pelo Facebook e por grande parte da mídia, somente os ingênuos acreditam. Assim, diz com propriedade Reynaldo Carilo Carvalho Netto: “O quarto poder não representa mais – não em sua totalidade – o conceito de fiscalizar os poderes e nortear os cidadãos. Por ele agora passam filtros que são geridos por interesses particulares, amputando informações, direcionando olhares, minando o funcionamento intelectual, em uma verdadeira democracia de faz de conta.”[ii]
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